Necrologia

Selecione o Mês:

Frei Crispim de Rallo

25/01/1843
24/05/1916

Frei Crispim (Félix Corradini), filho de Pedro e Maria Corradini, nasceu aos 25 de janeiro de 1843. Vestiu o santo hábito aos 27 de agosto de 1863; profissão simples aos 12 de setembro de 1864, solene a 19 de setembro de 1867. Ordenado sacerdote aos 29 de dezembro de 1867 juntamente com Frei Félix de Lavalle, seu colega.

Depois de ter trabalhado com grande ardor na Missão da Mesopotâmia, no dia 12 de maio de 1892 Frei Crispim estava no Brasil, seu novo campo de apostolado missionário.

Em 1907, estando em visita à Província, o velho padre disse paternalmente aos jovens estudantes e padres de lá: “Meninos, não querem ir comigo como Missionários no Brasil?” E esse convite entusiasmou os jovens. E no dia 21 de fevereiro desse ano embarcava para cá em companhia de Frei Luís de Santa Maria, dos novos padres Frei Vito de Martignano, Frei Liberato de Gries, Frei Jacinto de Prada, Frei Felicíssimo de Prada, Frei Víctor de Dovena com os estudantes teólogos Frei Epifânio de Vigo, Frei Vital de Moena, Frei Crispim de Roncone e o Irmão Frei Elzeário de Strigno. Uma grande colheita para a Missão!

Frei Crispim foi homem virtuoso, cheio de fé e de zelo pela salvação das almas. Passava meses seguidos em peregrinações missionárias. Ficou afamada a grande Missão que pregou com Frei Silvério de Rábbi e Frei Vicente de SãoTiago, percorrendo nosso litoral paulista nos anos de 1896 e 1897. Missionaram cerca de 20 localidades permanecendo até 10 dias em algumas delas.

Foi professor no Colégio Seráfico(190l), Guardião em Piracicaba (1900), em Taubaté (1901) e em SãoPaulo (1907), todos cargos exercidos por um ano, “para que fosse obrigado a descansar”, como ficou registrado. Mesmo assim não deixava seus serviços aos enfermos, encarcerados, colégios e asilos.

Diversas vezes Frei Crispim caiu doente, com pneumonia dupla, e duas vezes recebeu a Unção, mas conseguindo levantar-se.

Aproximando-se a Ordenação de um seu sobrinho na Áustria, obteve licença para ir assisti-la, partindo em 1913 e ali falecendo aos 24 de maio de 1916.

Dele escreveu Frei Damião no livro Tombo de Piracicaba, fl. 27:

Frei Apolinário Pina

01/11/1905
24/05/1994

Frei Apolinário (João Batista Pina Filho) nasceu em Areado, Estado de Minas Gerais, no dia 1º de novembro de 1905. Seus pais João Batista Pina e Joana Rosa Pina eram italianos naturais de Cagliari, na Ilha Sardegna, Itália. Eram camponeses de formação católica, apostólica, romana. Cultivavam trigo, uva e criação de carneiros. Em 1901, com outras vinte e cinco famílias, emigraram para o Brasil e foram para a lavoura de café, no Sul de Minas Gerais.

Era o segundo filho de uma família de quatro irmãos: três homens e uma mulher. Foi batizado aos 9 de novembro de 1905 na igreja São Sebastião de Areado, diocese de Guaxupé-MG, e na mesma igreja, crismado aos 17 de junho de 1906 por Dom João Batista Corrêa Nery, Bispo de Pouso Alegre-MG. Fez a Primeira Comunhão aos 2 de novem-bro de 1920, na igreja Santíssimo Sacramento, em Monte Santo-MG.

 

Órfão aos quatro anos

 

Aos quatro anos de idade ficou órfão de mãe. Era ainda criança quando perdeu também o pai. Não frequentou escola, nem aula de religião. Fez os primeiros estudos em Cabo Verde, Sul de Minas, com professor particular. Aos oito anos precisou ajudar sua mãe de criação, viúva e de idade avançada. Era lavadeira de roupa e doceira. Sob sua orientação, com um taboleirinho pendurado ao pescoço, vendia doces pelas ruas da cidade, de porta em porta, no cinema e no circo.

 

Adolescência atribulada

 

Aos 12 anos ficou aos cuidados de seu padrinho e tutor e aos 13 anos deixou o tutor e passou a viver por conta própria. Foi ajudante de carreiro, tropeiro, boiadeiro, açougueiro, operário em fábrica de macarrão, vendedor de pão nas ruas e na roça. Com grande sacrifício trabalhava durante o dia e estudava à noite. Foi tesoureiro de um Clube de futebol de garotos da Várzea e caixeiro de um comércio de secos e molhados.

 

Padeiro e confeiteiro

 

Em Caconde-SP, aprendeu a profissão de padeiro. Sua intenção era casar-se e montar uma padaria própria. Em São Paulo, em 1925, especializou-se na profissão de padeiro e confeiteiro, na grande panificadora Ceciliana. Brevemente foram-lhe confiados cargos de responsabilidade.

 

Vocação

 

Frequentava as igrejas próximas do seu trabalho: Mosteiro São Bento, São Francisco, no Largo São Francisco, igreja São Gonçalo dos padres Jesuítas, na Praça João Mendes. Seu confessor e Diretor Espiritual, de quem recebia segura orientação, para surpresa sua convidou-o para ser Irmão Coadjutor na Companhia de Jesus. Pediu um prazo para pensar. Freqüentava também a igreja Imaculada Conceição, na Bela Vista. No confessionário foi convidado para ser Irmão Leigo Capuchinho. “Oração e trabalho, renúncia ao próprio eu”, afirmou o confessor. Pensou bem na sua indignidade e mesmo assim chamado por Deus. Disse “sim” ao chamado e passou a dar infinitas graças a Deus por havê-lo guiado na juventude e sobretudo pela graça da vocação.

 

Vestição, Noviciado e Profissão

 

No dia 24 de maio de 1927 recebeu, em São Paulo, o hábito de Postulante. Iniciou o noviciado, em Taubaté, no dia 4 de janeiro de 1928. Foi seu Mestre Frei Ricardo de Denno. Findo o noviciado emitiu a profissão temporária, em Taubaté, aos 6 de janeiro de 1929, perante Frei Ricardo de Denno. No dia 30 de janeiro do mesmo ano recebeu transferência para São Paulo. Seu trabalho foi a cozinha. Aos 10 de fevereiro de 1931 foi transferido para Taubaté como cozinheiro e Instrutor dos Irmãos. Fez a profissão perpétua, em Taubaté, aos 10 de janeiro de 1932, perante Frei Domingos de Riese.

 

Serviços nas Fraternidades

 

Em sua vida religiosa, Frei Apolinário exerceu todas as ativi-dades próprias de um religioso capu-chinho e assumiu cargos de responsabilidade nas seguintes Fraternidades: São Paulo, cozinheiro. Taubaté, cozinheiro e Instrutor dos Irmãos. Piracicaba, porteiro, cozinheiro e Instrutor dos Irmãos. Botucatu, porteiro e sacristão (por seis meses). Santos, porteiro e sacristão. Taubaté, sacristão, roupeiero e Instrutor dos Irmãos. Mococa, porteiro e roupeiro. Santos, cozinheiro e faxineiro. São Paulo, porteiro (18 anos). Santos, porteiro. Taubaté, porteiro. Penápolis, auxiliar. São José do Rio Preto, auxiliar. Em 1981, foi transferido para a Fraternidade Santo Antônio do Embaré, Santos, como auxiliar de porteiro e de sacristão. A partir de 1990, permaneceu em Santos, como jubilado. Em 1992, fez tratamento de saúde em São Paulo.

 

Última morada

 

Inaugurada a Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, Piraci-caba, enfermaria da Província, em 1993, Frei Apolinário foi transferido para aquela Fraternidade. Faleceu na Santa Casa de Piracicaba, aos 24 de maio de 1994, com 89 anos de idade. Causa da morte: “Choque cardio-gênico – Infarto agudo de miocárdio”. Faleceu no aniversário da vestição de Postulante: (65 anos). Foi sepultado no Cemitério da Saudade em Piracicaba no Jazigo dos Frades Capuchinhos.

 

Amava os pobres

 

Em todos os lugares por onde passou, destacou-se na assistência aos pobres. Às vezes parecia um tanto enérgico e alterava a voz com os pobres. Era uma maneira de driblar o Guardião e alguns Frades que não o compreendiam bem e pensavam que era enganado por aproveitadores. Enquanto falava alto, mostrava ao pobre os trocadinhos e com algum sinal sugeria que o procurasse em outro lugar nas portas da Igreja, e os pobres compreendiam bem seus sinais e sua bravura.

O jornal “A Folha de Rio Preto” publicou uma reportagem sobre Frei Apolinário na comemoração de 50 anos de Vida Religiosa. Falando sobre Frei Apolinário, Frei Wilson Denadai assim se expressou: “O que o marcou na Ordem foi sua disponibilidade, sua obediência aos Superiores, sua vida de oração e sobretudo o amor pelos pobres. Em todos os lugares onde trabalhou, sempre ajudou os pobres, sempre devotou parte de seu tempo a eles”. Por isso, Frei Apolinário foi realmente o porteiro exemplar.

 

Frei Francisco Teixeira de Mendonça

20/07/1920
29/05/1971

Frei Francisco Teixeira (Frei Higino) nasceu aos 20 de julho de 1920. Era filho de Pedro Teixeira de Mendonça e Eugênia Teixeira Diniz. Foi batizado aos 5 de setembro de 1920, na igreja São Francisco, em Penápolis, por Frei Vital de Primiero. Entrou para o Seminário aos 3 de janeiro de 1933. Vestiu o santo hábito aos 11 de janeiro de 1939, em Piracicaba, recebendo o nome de Higino M. de Penápolis. Mestre: Frei Felicíssimo de Prada. Votos simples aos 14 de janeiro de 1940, perante Frei Evaristo de Santa Úrsula. Solenes, aos 21 de janeiro de 1945 (Piracicaba). Fez os estudos de Filosofia em Mococa, de 1940 a 1942; - Teologia em Piracicaba e em São Paulo, de 1944 a 1947. Ordenado diácono em Piracicaba, aos 11 de dezembro de 1946, por Dom Ernesto de Paula. Sacerdócio, aos 21 de dezembro de 1946, pelo mesmo Bispo.

Frei Higino exerceu os seguintes cargos a partir destas datas: - Professor e vigilante no Seminário, 19 janeiro 1948; - cooperador em Taubaté, 10 agosto 1951; - Santos, 10 agosto 1953, em tratamento de saúde; Piracicaba, cooperador, 23 janeiro 1954; - Cafelândia, como capelão do Colégio Sagrado Coração Jesus, 29 janeiro 1955; Penápolis, 8 novembro 1955; - Tupi Paulista, cooperador 21 fevereiro 1956; Cândido Mota, 1957; Coroados, 1958; - Mococa, convento São José, 1963; - Pompéia, 11 de janeiro 1966; - Santos, vigário e superior, 14 fevereiro 1969. Foi, portanto, vigário em Coroados, Pompéia e em Santos, no Embaré.

Faleceu repentinamente em Santos, aos 29 de maio de 1971, com 50 anos de idade e 31 de vida religiosa.

Nesse dia, celebrou missa cedo. Dirigiu-se, depois, ao Círculo Operário, onde funcionava o Ginásio Leão XIII, para dar suas aulas de Moral e Cívica. Sentiu-se mal e foi chamado um amigo seu, cardiologista. Ao internamento, voltaram-lhe os sentidos: confessou-se e foi ungido. Consciente, agradeceu aos médicos que o atenderam. Rezou alto, em meio a muitas dores, e depois expirou. Celebraria seus 25 anos de Sacerdócio em dezembro.

Num dos jornais de Santos, cujo nome não consta no documentário, temos os seguintes dados de Frei Francisco: “Sem alarde, guiado pela firmeza que o caracterizava, inspirado pela profunda e contagiante bondade, foi arregimentando colaboradores, através da palavra convincente e da suavidade do trato e estimulando-os para obras de fôlego em diferentes setores. Planejou grandes melhoramentos, já começados, promoveu campanhas de elevada genialidade, estendeu os raios de ação da Igreja, expandindo a atuação de caráter espiritual, cultural, assistencial, sem descurar jamais dos desfavorecidos, a cuja promoção se dedicava incansavelmente. Calmo e doce, porém decidido e enérgico, não transigia nos pontos fundamentais de suas diretrizes. Traçava-as com admirável lucidez e confiança na Providência, que sustentaria a paróquia, enviando-lhe obreiros capazes. Dinâmico, empreendedor, nunca se queixava de fadiga; trabalhava ininterruptamente como se previsse a fuga veloz do tempo; urgia planos sem esmorecimento, para ser farta a messe. Arauto observador, avançado nas iniciativas, atualizado nas idéias e ações, não descurava de pormenores favoráveis ao legado que destinava ao Pai e aos irmãos. (...) Dominava pela persuasão. Suas pregações primavam pelo conteúdo autêntico e acessível. A simplicidade, aliava a franqueza, a espontânea atitude e serena alegria dos que vivem na paz de Deus. Assumindo os múltiplos e exaustivos encargos da Paróquia, interessou-se vivamente pela União “Ancilla Domini”, fundada em 1940 por Frei Manoel, com a operosa participação de um grupo de senhoras. Cabia-lhe a direção dessa entidade, que ele não se contentou em manter e aperfeiçoar. Achava que deveria fazê-la expandir-se, pois as obras do Senhor não estacionam”. (Maria Luiza).

Em dezembro de 1970 Frei Francisco lançara a primeira pedra de uma Creche na paróquia.

Sempre ativo, empreendedor, foi dinâmico vigário. De caráter por vezes forte, era exigente consigo e com os outros. Quando professor, embora acessível aos alunos no recreio, era bem severo nas horas de aula e de estudos. Usava ainda a palmatória quando nós alunos não sabíamos qualquer ponto que fosse das lições, ou perturbávamos as aulas e o silêncio... Muitos têm ainda viva lembrança dos “bolos” que Frei Francisco distribuía durante as aulas... Quantos erros, tantos bolos... E as palmas da mão sofriam, sem se queixar, os efeitos de qualquer arte aprontada.

Às exéquias de Frei Francisco compareceram muitos coirmãos e sacerdotes de Santos. A missa exequial foi presidida pelos senhores Dom Davi Picão, Bispo de Santos, e pelo provincial Frei José Carlos C. Pedroso, aos 30 de maio, às 10 horas.

Frei Marino Sansoni

13/06/1922
29/05/1984

Frei Marino (Armando Sansoni) nasceu em São Paulo, paróquia Bom Jesus do Brás, aos 13 de junho de 1922. Filho de Francisco Sansoni e Marina Crevatin. Foi batizado aos 25 de dezembro de 1922 na mesma paróquia. A 7 de março de 1951 recebeu o hábito de postulante, iniciando o Noviciado a 16 de setembro em Taubaté, tendo como mestre Frei Marcos Brevi. Votos simples a 16 de setembro de 1952, perante Frei Epifânio Menegazzo. Solenes, em São Paulo, aos 17 de setembro de 1955 perante o provincial Frei Anselmo Donei.

Frei Marino dedicou-se aos humildes trabalhos de Irmão, sempre preocupado também com as vocações. Por onde andava, sempre fundava Clubes vocacionais, orientando e estimulando adolescentes e jovens para a Vida Religiosa ou sacerdotal, sendo sempre muito querido de seus orientados.

Pertenceu às seguintes fraternidades, a partir destas datas: - setembro 1951: Taubaté; - Outubro 1952: São Paulo, cozinheiro; - 1958: Seminário de Piracicaba, cozinheiro; - 1960: Santos, cozinheiro; - abril - 1966: Piracicaba, auxiliar do Secretariado Vocacional, com Frei Cirilo Bergamasco. - 1967: São José do Rio Preto, sacristão. - 1968: Santo André, cozinheiro; nesse mesmo ano é transferido para o Lar Franciscano de Menores, em Piracicaba; em 1969, vai para Santo André, como sacristão; janeiro de 1972, Taubaté. Quando nesta cidade, fez um estágio numa congregação franciscana em Pindamonhanga.

Após prolongado tratamento cardíaco, Frei Marino veio a falecer em São Paulo, aos 20 minutos do dia 29 de maio de 1984.

Frei Ciro Aprígio Vieira

07/02/1930
29/05/2002

Frei Ciro Aprígio Vieira nasceu em Carmo do Rio Claro, Estado de Minas Gerais, aos 7 de fevereiro de 1930. Era filho de Aprígio José Vieira e Maria da Conceição Vieira. Foi batizado em Carmo do Rio Claro, paróquia Nossa Senhora do Carmo, aos 19 de abril de 1930, pelo Pe. Francisco Tavares e crismado por Dom Ranulfo da Silva Farias, aos 16 de julho de 1930, festa de Nossa Senhora do Carmo. Fez os primeiros estudos em Carmo do Rio Claro. Entrou para o Seminário São Fidélis de Piracicaba, pela primeira vez, em fevereiro de 1945. Saíu em março de 1947 e depois retornou em junho de 1951. Nos anos em que permaneceu fora do Seminário, cursou o ginasial em Carmo do Rio Claro no Colégio dos Irmãos de São Gabriel.

 

Noviciado e Profissão

 

Vestiu o hábito franciscano capuchinho em Taubaté, convento Santa Clara, iniciando o noviciado aos 20 de dezembro de 1954. Foi seu Mestre Frei Marcos Brevi. Emitiu a profissão temporária, perante Frei Anselmo Donei, primeiro Ministro Provincial, dia 21 de dezembro de 1955. Fez a Profissão perpétua, perante Frei Germano Chisté, em Mococa aos 22 de dezembro de 1958.

 

Filosofia, Teologia e Ordenação

 

Estudou Filosofia, em Mococa, nos anos 1956 a 1958 e Teologia em são Paulo, de 1959 a 1962. Recebeu a Primeira Tonsura conferida por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira na Catedral de São Paulo, aos 19 de dezembro de 1959. Aos 17 de dezembro, na Catedral Metropolitana, o mesmo Bispo conferiu-lhe as Ordens Menores. Foi ordenado Subdiácono por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, em São Paulo, aos 23 de dezembro de 1961 e Diácono por Dom Paulo Rolim Loureiro, dia 7 de abril de 1962. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Frei Inácio João Dal Monte, O.F.M. Cap., Bispo de Guaxupé-MG, em Carmo do Rio Claro, aos 29 de junho de 1962. Concluiu os estudos em São Paulo, em novembro de 1962 e em 1963 fez o curso de pastoral.

 

Ministério sacerdotal

 

Frei Ciro exerceu o ministério sacerdotal em São Paulo-SP, paróquia Imaculada Conceição, Pompéia-SP, São José do Rio Preto-SP, na paróquia Santíssimo Sacramento, na Vila Maceno e na Basílica Nossa Senhora Aparecida. De 1969 a 1973 foi Pároco na paróquia Imaculada Conceição, em São Paulo-SP. Nas outras paróquias foi vigário cooperador.

 

Missionário no Amazonas

 

Desde seminarista e tempos de estudante, Frei Ciro não ocultava seu ideal e desejo de ser missionário no Amazonas. Após as experiências de ministério poastoral no Estado de São Paulo, aos 28 de dezembro de 1973 partiu para as missões de Alto Solimões, no Amazonas. Aí foi cooperador, Capelão Militar do Comando de Fronteiras do Alto Solimões, com sede em Tabatinga-AM. Em1980, foi Pároco em Tabatinga e eleito 2º ; Conselheiro na Vice-Província do Amazonas. Foi transferido para Amaturá, Alto Solimões em 1993. Esteve a serviço da missão em Tabatinga e Amaturá até 2001, quando por motivos de saúde se desligou da Vice-Província do Amazonas.

 

Exéquias na festa de Corpus Christi

 

Nos últimos anos estava com a saúde já abalada, vítima de um câncer que afetou-lhe os órgãos vitais. Muito alegre de temperamento, enfrentou com galhardia sua cruz, dando enorme exemplo de paciência e resignação. No dia 29 de maio de 2002, na Santa Casa de Piracicaba, faleceu praticamente consciente e confortado pelos sacramentos da Igreja.

Às 14 horas do dia 30 de maio, quinta-feira, festa de Corpus Christi, na igreja do convento Sagrado Coração de Jesus, onde foi velado, houve missa exequial presidida pelo Ministro Providencial Frei João Alves dos Santos e concelebrada por muitos sacerdotes capuchinhos. Todos os postulantes, noviços, pós-noviços, Irmãs Franciscanas, familiares e amigos de Frei Ciro participaram da celebração. Frei José Antônio Leonel Vieira, na homilia, lembrou que “Frei Ciro foi missionário no Amazonas durante 27 anos e isso é tudo. Foi ser pai dos sem voz nem vez, dos expoliados da vida. Perdemos um irmão missionário aqui na terra e ganhamos um intercessor no céu”. Terminada a celebração foi sepultado no Cemitério da Saudade, em Piracicaba no Jazigo dos Frades Capuchinhos.

I Fioretti

Nas comemorações das Bodas de Prata de ordenação sacerdotal, em junho de 1987, Frei Mauro Strabelli, em estilo fioretti, assim escreveu sobre Frei Ciro:

“Frei Ciro é um daqueles tipos especiais que pintam lá de vez em quando numa Província. Tem uma capacidade incomum de driblar as situações difícieis e uma facilidade imensa de contornar com humor as ocasiões espinhosas.

Nos tempos de Seminário, Frei Ciro distinguia-se entre todos os seminaristas não só por ser maior e mais vivido, mas especialmente por cantar, nas Festas da Academia Divina Pastora, árias em italiano, sem saber italiano...

Era ele quem fazia a montagem para o teatro do Seminário. Os efeitos cênicos saíam de suas mãos com tanta facilidade que causava admiração, principalmente pelo material sofisticado que usava: bochas rolando pelo soalho do corredor eram os “trovões”, exigidos em cena; areia peneirada sobre folha de jornal era a “chuva”, e dois fios elétricos, desencapados, negativo e positivo que se cruzavam, eram os “relâmpagos”, apesar da ameaça de curto-circuito.

Nas salas de aula, Frei Ciro driblava também os mais ferozes professores. Estudava o suficiente, e nas horas amargas dos exames, falava, falava, mudava de assunto, subia e descia nos argumentos mais contraditórios e absurdos, provava que o sal é doce, e que o escuro é muito mais claro, que o professor o aprovava, elogiava e pedia desculpas por tê-lo chamado a exames...

As aulas de grego e de hebraico eram um campo fértil para sua inesgotável capacidade de driblar dificuldades e para testar a paciência dos abnegados professores. Pois um verbo conjugado pelo frei podia ser considerado de qualquer tempo ou modo ou conjugação. Difícil detectar a raiz e as desinências: era um proposital emaranhado de cipó gramatical que os professores confundiam-se também... Um perfeito podia ser um futuro, e um presente na voz ativa podia valer também como aoristo médio...

Durante os anos de estudo de Filosofia, Frei Ciro contornava com humor o rigorismo das leis conventuais. Como um “Professor Pardal” de hábito, ele encontrou o jeitinho de esconder um aparelho de rádio dentro do guarda roupa, de tal modo que quem abrisse a porta do dito móvel poderia encontrar roupa ou rádio; isso dependia de seguir ou não as “normas” de orientação ditadas pelo inventor. Também a gaveta de sua escrivaninha era uma das maravilhas do mundo antigo: aberta, ligava um rádio; fechada, desligava-o. E um prego, coberto com um pouco de cera na cabeça, desfazia todos os vestígios do possível crime... Nem o Sherlok descobriria.

Famosa foi a atuação de uma equipe de “mágicos” durante uma Festa em Mococa. Frei Ciro era o “orientador técnico” e o “chefe da iluminação”! A mágica a ser apresentada: dois violinos que tocam sozinhos! Frei Ciro montou o cenário: bastidores negros, cortinas negras, chão escuro. Dois personagens vestidos de preto, pintados e maquiados de negro, tocavam dois violinos branquíssimos, com arcos branquíssimos. E para dar maior credibilidade à “mágica” Frei Ciro mandou dois holofotes de luz contra os olhos da pláteia... A mágica tinha que dar certo mesmo... Não se sabe se alguém viu os dois violinos...

A “vida” de Frei Ciro é uma antologia de “casos”. Para finalizar lembramos que ficou célebre, entre os frades, em Rio Preto, quando apresentado a um compacto auditório de jovens como “o Conferencista Frei Ciro”, ele - ao levantar-se - se auto apresentou dizendo: “Bem! Eu não sou propriamente um conferencista. Atualmente sou mais um reflexionista...” (Coisa que ninguém soube dizer, e nem ele o que seria...”).

Frei Ciro cunhou também muitas expressões que ficaram durante muito tempo na vida estudantil e ainda hoje estão por aí: “Ramanastacha” que pode significar tudo o que você quiser em qualquer tempo, momento, situação. E ao seu barco, na Missão no Amazonas, deu o nome de “CHILIP-CHILEP” uma referência onomatopaica aos goles de cachaça em suas rodas de amigos. Ao povo dizia que era um nome inglês.

 

Veja Mais