O humilde e virtuoso Frei Manoel (Henrique Galeotti) deixou grande fama de santidade entre seus coirmãos e entre o povo que o conheceu. Sempre em seu posto de porteiro no Convento Imaculada Conceição em São Paulo, paciente, pronto, unia, sua atividade não fácil, a uma profunda vida de oração e de interioridade.
Nasceu aos 3 de janeiro de 1894 na paróquia Santa Efigênia, na Capital. Filho de Vicente Galeotti e Maria Turri Galeotti. Fez a primeira comunhão em 1907, na igreja Sagrado Coração de Jesus, em São Paulo. Vestiu o hábito de postulante em São Paulo, aos 19 de novembro de 1911. Principiou o Noviciado em Piracicaba a 3 de janeiro de 1914. Foi seu Mestre Frei Jacinto de Prada. Votos simples a 14 de janeiro de 1915. Solenes, a 2 de fevereiro de 1919 em Taubaté, perante Frei Ricardo de Denno.
Exerceu os seguintes ofícios a partir das datas abaixo:
Dezembro 1911: Piracicaba, auxiliar cozinha; Janeiro 1912: Taubaté, sacristão; Maio-1912: São Paulo, auxiliar portaria; Agosto 1913: Botucatu, sacristão e porteiro; dezembro 1913: Piracicaba, auxiliar no Noviciado; julho 1916: Taubaté, sacristão e porteiro; abril 1921: Birigüi: porteiro, cozinheiro, sacristão; Janeiro 1926: Piracicaba, cozinheiro; Janeiro 1927: São Paulo, porteiro.
Na Portaria, no atendimento aos pobres, fornecendo-lhes a sopa diária, Frei Manoel soube aliar admiravelmente oração e ação. Homem de profunda fé, humildade e grande caridade, viveu heroicamente sua vocação. Quando de seu falecimento o povo achava que podia ser canonizado. Ouvido o sinal e o chamado da portaria, tudo deixava com a maior presteza, sem impacientar-se.
Veio a falecer em São Paulo, no Hospital Santa Catarina, aos 30 de março de 1950, de peritonite aguda. Tinha 56 anos, sendo 36 de vida religiosa.
Ainda hoje podemos sentir o quanto Frei Manoel era considerado e estimado, pelas expressões e impressões deixadas por muitos que o conheceram e que ficaram em sua memória na revista ANAIS FRANCISCANOS.
Assim escreveu Francisco Soares:
“Desapareceu da face da terra o grande apóstolo da caridade, o generoso amigo e pai da pobreza... e ainda sangra, como no primeiro dia do seu passamento, o coração daqueles que tiveram a grande ventura de conhecer o modelo dos porteiros do benemérito Convento da I. Conceição. A bondade e caridade viviam no seu coração estreitamente irmanadas, e essa aliança não fez senão avultar o perfil moral de Frei Manoel, consagrando-o sinceramente à estima pública. Eis porque a emoção causada pela sua morte, foi enorme. Devia ser assim. Passou pela vida prodigalizando benefícios com tudo que estivesse afeto ao seu humilde cargo, qual anjo de caridade a ninguém deixando faltar a sua meiga palavra de animação e de conforto.
Tanto assim era que os pobres que em número de mais de quinhentos diariamente vinham buscar seu pão, sua sopa, e bons conselhos deste Servo de Deus, todos diziam:
Frei Manoel ajuda a criar nossos filhos... Frei Manoel, o pai dos pobres!...
Um dos caracteres que o distinguiram na vida, foi o ter sempre tratado os pobres como seus filhos diletos e como membros de sua própria família”. (A.F. agosto - 1950, p. 248). (Cf. também AOMC, 66, 147).
Frei Manoel muito se destacou na propagação da Obra Seráfica das Santas Missas. Na página dedicada a essa obra, em Anais, lemos estas expressões a seu respeito:
“Com certeza muitos dos nossos Zeladores e Zeladoras o terão conhecido. Com que afabilidade, com que delicadeza recebia as pessoas que por qualquer motivo vinham tratar de questões diversas na Portaria.
Frei Manoel era afável para todos, porém, quando se tratava de um pobre a pedir auxílio ou comida, aí é que o bondoso frade demonstrava seu grande coração de capuchinho. Era o pai dos pobres.
Todos os dias, mais de 500 pobres vinham buscar seu pão , sua sopa, sua roupa. Frei Manoel levava mais de duas horas com os seus pobres. Rezava com eles, aconselhava-os, arranjava emprego a este ou aquele, ensinando-lhes o caminho do bem e da virtude...
Nunca se zangava, apesar de sofrer há anos da moléstia que o vitimou, e quando por qualquer motivo se impacientava: Oh! Senhor! Oh! Senhor! era sua expressão predileta. O Boníssimo Frei Manoel, lá do Céu onde estás, implora à Divina Majestade, pelos teus irmãos de hábito, pelos teus amigos, pelos teus pobres, que deixaste neste vale de lágrimas, para que um dia possamos reunir-nos no Paraíso”. (A.F. maio-1950, p. 151).
No coro a rezar, na portaria a atender, no trabalho pela Obra Seráfica e em outros trabalhos, sempre “preso e acorrentado” em seu lugarzinho a servir a todos, Frei Manoel construiu sua pessoa e sua eternidade; no amor a Deus e aos irmãos. Com seus olhos negros, salientes e brilhantes, sua barba rala, semblante pálido, com seu corpo um tanto arcado pela idade e pelas enfermidades, Frei Manoel traduziu a bondade e a humanidade do Senhor que quis viver nossa vida e entre nós, “passando por este mundo fazendo o bem”...
Outros muitos artigos foram escritos sobre nosso estimado confrade. Todos traduzem em outras palavras o sentir comum: “QUE SANTO!!! QUE SANTO PORTEIRO!!!”
(Cf. A.F. maio - 1950, pp. 153-157; setembro 1950, p. 274; maio 1950, p. 151; agosto l950, p. 248).