Frei Miguel Hilário Bottacin
14.08.1921 - Loreggiola/Itália
10.04.1997 - Curitiba/Paraná
Frei Miguel nasceu em Loreggiola (Itália) aos 14 de agosto de 1921, filho de Graciano Bottacin e Maria Ceccon. Entrou no seminário de Rovigo no final de 1938. Por causa de sua idade, considerada alta naqueles tempos, optou pela vida de religioso. Foi recebido no noviciado de Bassano del Grappa aos 11 de outubro de 1939, onde também emitiu sua profissão temporária (12.10.1940).
Permaneceu no mesmo convento do noviciado e, após dois anos, foi transferido para Lendinara. Em seguida, foi para Villafranca de Verona, onde consagrou-se definitivamente, aos 19 de março de 1945, à vida consagrada. Nesse mesmo convento permaneceu até 1957.
Foi nesse convento de Villafranca que Frei Miguel começou mostrar-se conversador, extrovertido, devoto de Nossa Senhora e dos Santos, com religiosidade em sinais externos. Escutava os outros, interessava-se pelas pessoas e pelos seus problemas. Para dar uma resposta precisa, segura e consoladora, com freqüência pedia um momento de reflexão. Com o correr dos anos, no Brasil aperfeiçoou esta tendência de escutar e aconselhar.
Com mais três frades missionários embarcou no navio Conte Biancamano aos 02 de julho de 1957, rumo ao Brasil. Desembarcaram em Santos, SP, (18.07.1957) e no dia 21 do mesmo mês entravam no convento das Mercês, em Curitiba, Paraná.
Passou o primeiro ano (1957-1958) em Curitiba e Butiatuba, aprendendo a língua portuguesa. No seminário Santa Maria de Engenheiro Gutierrez assumiu o encargo de zelar pelos irmãos leigos e candidatos (1958-1959). Quando os irmãos leigos foram para Siqueira Campos, lá os acompanhou (1960). Após breve período em Butiatuba, assumiu a portaria em Curitiba (1961-1964) e o setor da enfermaria. Continuou na mesma atividade da portaria em Ponta Grossa (1965-1967) e cuidava dos irmãos leigos.
Aos 21 de janeiro de 1968 foi enviado para a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba, onde permaneceu até seu falecimento. Inicialmente auxiliava na pastoral e prosseguia atendendo pessoas para orientação. Foi nesse contexto de contínuo atendimento na paróquia e na orientação das pessoas que resolveu encaminhar-se ao sacerdócio. Feitos os necessários estudos, foi ordenado sacerdote por Dom Pedro Fedalto aos 8 de dezembro de 1973, na Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba, onde trabalhava. Inicialmente trabalhou como vigário paroquial, mas em 1976 foi nomeado pároco nesse mesmo local.
Atender, ouvir os problemas das pessoas, tentar ajudá-las por meio de uma orientação, foi um trabalho que sempre gostou de fazer. Seu trabalho pastoral na Vila Nossa Senhora da Luz, a partir de 1968, foi definitivo para uma dedicação total ao serviço de atendimento e acolhimento, bem como para sua vocação sacerdotal. Com esforço e dedicação conseguiu realizar os estudos teológicos no Instituto dos Claretianos para ser ordenado sacerdote aos 08 de dezembro de 1973, em Curitiba.
Sua dedicação passou a ser total à pastoral, com prioridade à escuta e ao aconselhamento, e com um incentivo ao povo de uma confiança na força de Deus, por meio da religiosidade das bênçãos, orações e partilha.
A procura foi aumentando sempre e era feita por todo tipo de pessoas das mais diversas classes e variadas situações. Sua característica de dizer sempre sim foi desenvolvendo cada vez mais sua dedicação ao trabalho pastoral, a ponto de ter exagerado, humanamente falando.
Conselhos simples e até populares, tinham a força de serem seguidos. E isto era feito para todo tipo de pessoas - pobres, ricos, autoridades, empresários, padres, seminaristas, religiosos, religiosas, - tanto de Curitiba e região, como de outras cidades do Paraná e também de outros Estados. Era o confessor do Seminário Arquidiocesano de Curitiba, de alguns mosteiros e conventos. Mesmo sem dotes de comunicação tinha sua força nos MCS (Meios de Comunicação Social), especialmente através da rádio. Fazia três programas diários e rezava 3 missas semanais numa Rádio local de Curitiba.
Para muita gente era suficiente sua palavra e seu "Deus te abençoe", mesmo por telefone, para ficarem tranqüilas e acreditarem mais nas suas próprias forças e na força da graça de Deus.
Seu ministério sacerdotal, realizado com muita dedicação e disponibilidade, passou a motivar as pessoas a partilharem com os pobres, particularmente com as crianças e os idosos. Várias obras voltadas aos pobres destacaram-no em Curitiba, inclusive duas Creches. Saciar a fome dos necessitados, também foi sua preocupação constante e nisto era ajudado pelas pessoas que o procuravam e viam nele um testemunho de vida. Desde 1981, frei Miguel exercia as funções de vigário paroquial, residindo na capela São Leopoldo Mandic, em Curitiba, por ele construída. Amigo dos pobres, homem de oração, foi um dos maiores promotores da devoção de São Leopoldo Mandic.
Sua grande dedicação às almas, talvez tenha apressado sua passagem deste mundo. Prova disto está que no dia de sua morte havia recebido ordem médica de repouso, porque tinha feito o exame de cateterismo. Ordem esta que não obedeceu para não deixar as Irmãs sem a missa e as confissões. Sentiu-se mal exatamente quando atendia as religiosas. Socorrido imediatamente foi levado à Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, mas não resistiu, vindo a falecer nesse dia 10 de abril de 1997. O atestado de seu falecimento, acusou o seguinte: Arritmia Ventricular e Aterosclerose Coronariana.
Seu corpo foi velado e sepultado nesta Capela-santuário São Leopoldo Mandic, por ele construída e onde residia. Durante o velório, passaram pelo local aproximadamente 30.000 (trinta mil) pessoas, o que demonstra o quanto era querido e admirado pelas pessoas a quem tanto ajudou. Suas exéquias realizaram-se com a presença do frei Atílio Galvan, Ministro Provincial, de vários freis, padres de outras Congregações, padres diocesanos, religiosas e uma multidão de fiéis: cerca de 5.000 pessoas.
O povo o considera como milagreiro, uma vez que confunde graça com milagre propriamente dito, que supõe uma cura impossível da explicada científica e humanamente. O importante é perceber que seu testemunho de vida, de amor, de simplicidade, partilha, serviço e luta pelo bem marcou a vida de muitas pessoas e influenciou a vida da própria igreja em Curitiba. Nada melhor que as pessoas continuem a rezar, confiantes de que com Deus nos sentimos melhor e mais compromissados com a doação aos outros, como foi o exemplo deixado por Frei Miguel. Seu túmulo é constantemente visitado por muitas pessoas.