Necrologia

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Frei Miguel Hilário Bottacin

14/08/1921
10/04/1997

14.08.1921 - Loreggiola/Itália
10.04.1997 - Curitiba/Paraná

Frei Miguel nasceu em Loreggiola (Itália) aos 14 de agosto de 1921, filho de Graciano Bottacin e Maria Ceccon. Entrou no seminário de Rovigo no final de 1938. Por causa de sua idade, considerada alta naqueles tempos, optou pela vida de religioso. Foi recebido no noviciado de Bassano del Grappa aos 11 de outubro de 1939, onde também emitiu sua profissão temporária (12.10.1940).

Permaneceu no mesmo convento do noviciado e, após dois anos, foi transferido para Lendinara. Em seguida, foi para Villafranca de Verona, onde consagrou-se definitivamente, aos 19 de março de 1945, à vida consagrada. Nesse mesmo convento permaneceu até 1957.

Foi nesse convento de Villafranca que Frei Miguel começou mostrar-se conversador, extrovertido, devoto de Nossa Senhora e dos Santos, com religiosidade em sinais externos. Escutava os outros, interessava-se pelas pessoas e pelos seus problemas. Para dar uma resposta precisa, segura e consoladora, com freqüência pedia um momento de reflexão. Com o correr dos anos, no Brasil aperfeiçoou esta tendência de escutar e aconselhar.

Com mais três frades missionários embarcou no navio Conte Biancamano aos 02 de julho de 1957, rumo ao Brasil. Desembarcaram em Santos, SP, (18.07.1957) e no dia 21 do mesmo mês entravam no convento das Mercês, em Curitiba, Paraná.

Passou o primeiro ano (1957-1958) em Curitiba e Butiatuba, aprendendo a língua portuguesa. No seminário Santa Maria de Engenheiro Gutierrez assumiu o encargo de zelar pelos irmãos leigos e candidatos (1958-1959). Quando os irmãos leigos foram para Siqueira Campos, lá os acompanhou (1960). Após breve período em Butiatuba, assumiu a portaria em Curitiba (1961-1964) e o setor da enfermaria. Continuou na mesma atividade da portaria em Ponta Grossa (1965-1967) e cuidava dos irmãos leigos.

Aos 21 de janeiro de 1968 foi enviado para a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba, onde permaneceu até seu falecimento. Inicialmente auxiliava na pastoral e prosseguia atendendo pessoas para orientação. Foi nesse contexto de contínuo atendimento na paróquia e na orientação das pessoas que resolveu encaminhar-se ao sacerdócio. Feitos os necessários estudos, foi ordenado sacerdote por Dom Pedro Fedalto aos 8 de dezembro de 1973, na Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba, onde trabalhava. Inicialmente trabalhou como vigário paroquial, mas em 1976 foi nomeado pároco nesse mesmo local.

Atender, ouvir os problemas das pessoas, tentar ajudá-las por meio de uma orientação, foi um trabalho que sempre gostou de fazer. Seu trabalho pastoral na Vila Nossa Senhora da Luz, a partir de 1968, foi definitivo para uma dedicação total ao serviço de atendimento e acolhimento, bem como para sua vocação sacerdotal. Com esforço e dedicação conseguiu realizar os estudos teológicos no Instituto dos Claretianos para ser ordenado sacerdote aos 08 de dezembro de 1973, em Curitiba.

Sua dedicação passou a ser total à pastoral, com prioridade à escuta e ao aconselhamento, e com um incentivo ao povo de uma confiança na força de Deus, por meio da religiosidade das bênçãos, orações e partilha.

A procura foi aumentando sempre e era feita por todo tipo de pessoas das mais diversas classes e variadas situações. Sua característica de dizer sempre sim foi desenvolvendo cada vez mais sua dedicação ao trabalho pastoral, a ponto de ter exagerado, humanamente falando.

Conselhos simples e até populares, tinham a força de serem seguidos. E isto era feito para todo tipo de pessoas - pobres, ricos, autoridades, empresários, padres, seminaristas, religiosos, religiosas, - tanto de Curitiba e região, como de outras cidades do Paraná e também de outros Estados. Era o confessor do Seminário Arquidiocesano de Curitiba, de alguns mosteiros e conventos. Mesmo sem dotes de comunicação tinha sua força nos MCS (Meios de Comunicação Social), especialmente através da rádio. Fazia três programas diários e rezava 3 missas semanais numa Rádio local de Curitiba.

Para muita gente era suficiente sua palavra e seu "Deus te abençoe", mesmo por telefone, para ficarem tranqüilas e acreditarem mais nas suas próprias forças e na força da graça de Deus.

Seu ministério sacerdotal, realizado com muita dedicação e disponibilidade, passou a motivar as pessoas a partilharem com os pobres, particularmente com as crianças e os idosos. Várias obras voltadas aos pobres destacaram-no em Curitiba, inclusive duas Creches. Saciar a fome dos necessitados, também foi sua preocupação constante e nisto era ajudado pelas pessoas que o procuravam e viam nele um testemunho de vida. Desde 1981, frei Miguel exercia as funções de vigário paroquial, residindo na capela São Leopoldo Mandic, em Curitiba, por ele construída. Amigo dos pobres, homem de oração, foi um dos maiores promotores da devoção de São Leopoldo Mandic.

Sua grande dedicação às almas, talvez tenha apressado sua passagem deste mundo. Prova disto está que no dia de sua morte havia recebido ordem médica de repouso, porque tinha feito o exame de cateterismo. Ordem esta que não obedeceu para não deixar as Irmãs sem a missa e as confissões. Sentiu-se mal exatamente quando atendia as religiosas. Socorrido imediatamente foi levado à Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, mas não resistiu, vindo a falecer nesse dia 10 de abril de 1997. O atestado de seu falecimento, acusou o seguinte: Arritmia Ventricular e Aterosclerose Coronariana.

Seu corpo foi velado e sepultado nesta Capela-santuário São Leopoldo Mandic, por ele construída e onde residia. Durante o velório, passaram pelo local aproximadamente 30.000 (trinta mil) pessoas, o que demonstra o quanto era querido e admirado pelas pessoas a quem tanto ajudou. Suas exéquias realizaram-se com a presença do frei Atílio Galvan, Ministro Provincial, de vários freis, padres de outras Congregações, padres diocesanos, religiosas e uma multidão de fiéis: cerca de 5.000 pessoas.

O povo o considera como milagreiro, uma vez que confunde graça com milagre propriamente dito, que supõe uma cura impossível da explicada científica e humanamente. O importante é perceber que seu testemunho de vida, de amor, de simplicidade, partilha, serviço e luta pelo bem marcou a vida de muitas pessoas e influenciou a vida da própria igreja em Curitiba. Nada melhor que as pessoas continuem a rezar, confiantes de que com Deus nos sentimos melhor e mais compromissados com a doação aos outros, como foi o exemplo deixado por Frei Miguel. Seu túmulo é constantemente visitado por muitas pessoas.

Frei Ézio Tinazzi

13/01/1920
13/04/2003

13.01.1920 - Valdiporro/Itália
13.04.2003 - Conegliano/Itália

Frei Ézio Tinazzi nasceu em Valdiporro, Província de Verona, aos 13 de janeiro de 1920, sendo filho de Baldassar Tinazzi e Líbera Pezzo. Terminados os estudos elementares, entrou no seminário dos Capuchinhos em Rovigo aos 18 de agosto de 1930 e depois no de Verona (31.8.1993), onde concluiu os estudos ginasiais. Fez o noviciado em Bassano del Grappa (11.8.1937), recebendo o nome de Frei Junípero de Valdiporro, onde emitiu sua primeira profissão (12.8.1938). No estudantado de Veneza, fez sua profissão perpétua na igreja do Santíssimo Redentor aos 23.06.1943. Terminados seus estudos de filosofia e teologia, o patriarca cardeal Adeodato Piazza sagrou-o sacerdote aos 21 de maio de 1944.

Vida pastoral – Apenas ordenado presbítero, Frei Ézio dedicou-se ao apostolado em Bassano del Grappa, Conegliano, Verona e Mestre. No entanto, anelava em ser missionário. Para isto, tinha feito seu pedido ainda aos 23.11.1940, antes de ser sacerdote. Mas, somente aos 18.8.1947 foi aceito seu pedido e logo escreveu ao Ministro Provincial, agradecendo-o de tê-lo enviado para a Missão do Congo.

Na Angola – Com oito outros confrades, Frei Ézio partiu de Mestre (Itália) aos 7.1.1948 com destino à Angola. Todo o grupo permaneceu em Portugal para aprender o português até 21.4.1948, quando partiu, chegando em Luanda aos 7.5.1948. Trabalhou em Camabatela, Quiculungo e Cangola onde foi vice-diretor do seminário de 1963-1964. Segundo testemunhos escritos, Frei Ézio demonstrou-se ótimo religioso e sacerdote, generoso e dedicado à oração. Após 20 anos de vida missionária na Angola retornou à Itália no final de 1969, quando celebrou seu 25º de ordenação presbiteral.

No Paraná e Santa Catarina – Chegando na Itália, Frei ézio passou um período de descanso (1969-1970). Nesse período, decidiu trabalhar na nova Província do Paraná e Santa Catarina. Por isso, aproveitou o tempo com um curso de preparação no Seminário Nossa Senhora de Guadalupe em Verona. Segundo os acordos feitos, Frei Ézio partiu de Lisboa aos 19.9.1970 com o navio Ana Costa, chegando em Santos-São Paulo aos 5.10.1970 e em Curitiba no dia seguinte (6.10.1970). Em nossa Província trabalhou em Céu Azul (1970-1975; 1981-1983), em Vera Cruz do Oeste (1976-1979), em Ponta Grossa como missionário popular (1979-1980). Retornou à Província de Veneza (Itália) aos 8.8.1983.

Retorno à Angola – Após breve descanso, Frei Ézio partiu novamente para a Angola, mas a encontrou muito diferente com os problemas da guerra civil. Dedicou-se com afinco ao trabalho missionário até 1990 quando, por motivos de saúde, regressou à Itália. Durante o tempo que permaneceu em Angola, construiu a residência dos missionários, a escola e um internato masculino em Camabatel, e igrejas matrizes em Quitexe, Samba Caju e Camabatela.

A nova evangelização – Recuperando suas forças, Frei ézio não esitou em assumir trabalhos apostólicos com a nova evangelização, residindo na fraternidade de Portogruaro, Itália. Como, quando estava no Brasil, tinha participado em Londrina-Paraná e dado cursos sobre a nova evangelização, não teve dificuldades em continuá-los tanto em Angola como na Itália, dos quais ministrou mais de 150 cursos. Por isso, dedicou-se com intensidade carismática a este apostolado em Portogruaro (Itália). Enquanto fazia este apostolado, pediu novamente para retornar à Angola. Mas, após diálogo com os superiores, aceitou de permanecer na Itália continuando seu apostolado da nova evangelização com os grupos que tinha formado. Esse mesmo apostolado ele o continuou quando foi transferido parta Pordenone. Aliás, atendia todos os grupos formados tanto em Portogruaro como em Podernone.

Ictus cerebral – Frei Ézio, quando soube que a beata Josefina Bakita, seria canonizada aos 4 de outubro de 2000, manifestou o desejo de participar das cerimônias. A razão era simples: nos anos anteriores ele mesmo tinha traduzido para o português breve vida desta beata. Com seu irmão frei Gino partiram para Roma na noite precedente à canonização. Com dificuldades conseguiu ir até a Praça São Pedro, Vaticano, e participar do rito de canonização. Terminadas as cerimônias, ambos foram para o Colégio Internacional São Lourenço de Brindes, onde foram hospedados.

Foi nessa ocasião que Frei Ézio teve um ictus cerebral, do qual não se recuperou. Transferido para a enfermaria provincial de Conegliano, continuou o necessário tratamento. Permaneceu consciente, entendia e conhecia as pessoas, mas perdeu a possibilidade de locomover-se e comunicar-se com outros. Isto foi para ele enorme sofrimento.

Após a festa aniversária de seus 82 anos (13.1.2002), passada com membros de grupos de oração por ele formados, o estado clínico de Frei Ézio piorou progressivamente. Enquanto se encontrava no hospital De Geroncoli de Conegliano para tratamento de pneumonia e de dificuldades renais e intestinais, faleceu aos 13 de abril de 2003. A missa exequial, muito concorrida, foi presidida pelo bispo de Concordia e Pordenone, Dom Sennen Corrà, às 11h de 15 de abril na igreja dos Capuchinhos em Portogruaro.

Às 16h do mesmo dia, foi sepultado no cemitério local de Valdiporro, onde tinha nascido, em cerimônia presidida pelo vigário provincial, Frei Roberto Genuin. 

Frei Guido Hermínio Bortoletto

08/10/1932
14/04/2001

08.10.1932 - Veneza/Itália
14.04.2001 - Curitiba/Paraná

Frei Guido Hermínio Bortoletto nasceu aos 8.10.1932, em San Donà di Piave (Veneza, Itália), sendo filho do casal Sílvio Bortoletto e Maria Cadamuro. Na igreja paroquial de San Donà di Piave Pe. Antônio Marchi o batizou aos 23.10.1932. Nesta mesma igreja, foi crismado aos 25.09.1942 por Dom Luís Saretta.

Terminados os primeiros estudos, foi recebido aos 10.09.1946 no seminário de Verona por Frei Justo Chillin. Em Bassano del Grappa, ingressou ao noviciado, aos 12.08.1951, tendo por mestre e celebrante Frei Luquésio Mezzalira, sendo Ministro provincial Frei Zacarias de São Mauro. Emitiu os votos temporários aos 15.08.1952 na presença de Frei Vicente Vidoni, durante o provincialado de Frei Zacarias de São Mauro.

Prosseguiu seus estudos cursando filosofia em Údine e Pádua e teve como diretores Frei Redento Dalla Favera e Melquior de Tezze sul Brenta (1952-1954). Ao terminar os estudos filosóficos foi admitido à profissão perpétua, emitida aos 30.10.1955 na presença da comunidade e de Frei Clemente de Santa Maria in Punta, sendo Ministro provincial Frei Zacarias de São Mauro.

Durante os anos de teologia recebeu os Ministérios: Leitorato aos 20.06.1957 na Basílica de São Marcos, em Veneza, das mãos de Dom ângelo Roncalli, depois eleito papa com o nome de João XXIII; na mesma Basílica e com o celebrante Dom José Olivotti recebeu o Acolitato aos 20.10.1957; durante o provincialado de Frei Clemente de Santa Maria in Punta, também na mesma Basílica recebeu o diaconato aos 19.10.1958. No último ano de teologia, na Basílica do Santíssimo Redentor, dos Frades Capuchinhos, foi ordenado sacerdote aos 21.06.1959, sendo Ministro provincial Frei Clemente de Santa Maria in Punta e celebrante Dom João Urbani. Rodeado pelos seus familiares, parentes e conterrâneos celebrou sua primeira solene missa aos 7.07.1959, em São Doná di Piave, sua terra natal.

Desenvolveu sua primeira atividade no seminário menor da Província, em Rovigo, como professor e, naturalmente, auxiliar em diversos trabalhos apostólicos (1960-1963).

Na África – Tendo nele amadurecido o ideal missionário, encaminhou o pedido para ser missionário. Após um estágio em Lisboa para se familiarizar com a língua portuguesa, viajou (22.11.1963) para a Angola. Trabalhou em Quiculungo, Maquela Zombo, Cangola, Zanza Pombo até 1973.

No Brasil – Após seu retorno da Angola, permaneceu na Província de Veneza, mas logo pediu para ser missionário no Brasil. Com a obediência (24.01.1975) em mãos, embarcou em Gênova, aos 05.04.1975, no navio Cristoforo Colombo. Desembarcou em Santos aos 18.04.1975 e, aos 22.04.1975 se encontrava em Curitiba, na Província capuchinha São Lourenço de Brindes, como auxiliar e hóspede.

Em nossa Província trabalhou em Reserva (1975-1978; 1989-1997), em Siqueira Campos (1978-1979), em Tomazina (1980-1984), em Uraí (1985-1989), em Arapongas (1997-2001). Nestes lugares assumiu cargos de pároco e vigário paroquial e também superior local em Tomazina, Uraí e Reserva.

Teve oportunidade de várias vezes, retornar à Itália para merecidas férias e, assim rever os frades da Província de Veneza e seus familiares e parentes. A última vez foi no ano 2000, quando lá permaneceu dois meses.

Ao longo do seu trabalho no Brasil, além da intensa atividade apostólica, enfrentou dificuldades. Quando estava em Reserva, ao cortar lenha com uma serra circular, um pedaço de madeira bateu com violência em sua fronte, provocando-lhe um buraco permanente e quase morreu naquela ocasião. Com essa batida violenta em sua fronte, ficou com uma parte do cérebro apenas defendida pela pele, tornando-se susceptível a algumas doenças. Por isso, por três vezes foi acometido pela meningite, levando-o quase à morte, mas sempre venceu.

Seus últimos meses – Frei Guido costumava passar suas férias anuais em nossa casa de praia, em Itapoá-Santa Catarina. Gostava de andar a pé, pescar, conversar com o povo e os jovens. Fez muitas amizades. Em 2001, também fez novamente suas férias nesta casa durante o mês de janeiro. No entanto, começou a sentir dores pulmonares. Por isso, retornou (11.01.2001) a Curitiba, ficando no convento das Mercês. Fez uma bateria de exames e o resultado foi câncer no pulmão esquerdo. Após um longo tratamento veio a falecer aos 14 de abril de 2001.

Na segunda-feira de Páscoa (16.04.2001) foi celebrada a missa exequial em nossa igreja das Mercês, Curitiba-Paraná. Estavam presentes muitos freis, sacerdotes, religiosas e fiéis.

Em seguida, o Ministro provincial apresentou sua fisionomia capuchinha com estas palavras: "Manifestava uma grande força interior, que não se explicava humanamente. A terrível doença deformou seu corpo fisicamente, mas não lhe tirou a serenidade, a paz, a paciência e a beleza da alma. Sorria, sem nunca de nada reclamar. Os próprios médicos se admiraram de seu comportamento. Demonstrou sempre, em sua vida, atitudes de bondade, simplicidade, disponibilidade (estava sempre pronto), de desprendimento e pobreza no sentido literal da palavra. Tinha somente o estritamente necessário. Na última vez que conversei com ele, dizia-lhe para não perder a oportunidade de tudo oferecer a Deus o leito de dor como se fosse seu altar. Respondeu-me: "Sempre ofereci e estou oferecendo tudo...".

Um frei, que com ele conviveu quatro anos, afirmou que se mostrava sempre alegre, disponível, nada queria acumular, sempre pronto à obediência e ao trabalho, gostava de horas de sadio lazer, mas antes sempre cumpria seu dever; um grande companheiro e cheio de espírito fraterno.

Quando passava suas férias na casa de praia de Itapoá, conquistou muitos jovens; ensinava-os a jogar pingue-pongue e com eles passando horas de folguedo. Um grupo deles, ao saberem de sua morte, se abraçaram e choraram copiosamente, confessa um frei que, comovido, presenciou a cena.

Todos os testemunhos foram unânimes em proclamar a disponibilidade, alegria e pobreza de Frei Guido. O capelão do hospital confessou que demonstrou uma fé impressionante e, apesar de conhecer perfeitamente sua situação cancerosa, foi um exemplo de paciência e calma.

O Ministro provincial concluiu afirmando: "Humanamente perdemos frei Guido. Ninguém ocupará seu lugar. Mas, com o olhar de fé, ganhamos porque ele chegou à sua meta final, contempla a Deus face a face e tornou-se vivo exemplo de frade alegre e fraterno mesmo diante da morte que se avizinhava a passos visíveis".

A médica que o atenceu explicou a um frade que os doentes cancerosos semelhantes a frei Guido são raríssimos. Mostrava-se admirada e edificada pelo seu comportamento calmo, sereno, pela alegria que demonstrava diante do mal, por ele conhecido, e sem perspectivas de melhoras.

Um frade da Angola, seu amigo e companheiro de estudos, assim se expressou ao saber da notícia: "Frei Guido respondeu generosamente à graça da vocação missionária entre o povo de Angola, tomando sempre a defesa dos direitos dos mais fracos e sofrendo por isso perseguição política. O povo e nós conservamos, até o presente, grata recordação deste nosso irmão".

A pedido da família, o corpo de Frei Guido foi levado para S. Doná di Piave (Itália). Frei Jaime Manfrin o acompanhou. Após a missa exequial, sob os aplausos dos fiéis, alguns frades capuchinhos levaram os restos mortais de Frei Guido até o externo da igreja, para depois acompanhá-los até o cemitério local, ao lado de seus familiares. 

Frei Silvestre de Selva

09/05/1882
20/04/1947

09.05.1882 - Selva/Itália
20.04.1947 - Butiatuba/Paraná

Frei Silvestre nasceu aos 9 de maio de 1882 em Selva (Itália), diocese de Pádua, filho de Tiago Forner e Catarina Pozzobon. Seu nome civil era Isacco Forner. Foi batizado no dia 10.05.1882 e crismado aos 30.11.1890. Ingressou na Ordem Capuchinha com 21 anos de idade. Vestiu o hábito , aos 11 de novembro de 1903, como irmão não-clérigo, no noviciado de Bassano del Grappa teve por mestre de noviciado frei Teodoro de Codróipo. Professou no ano seguinte (13.11.1904). Emitiu seus votos perpétuos quando se encontrava no convento de Rovigo, aos 19.11.1907.

Nos conventos da Província vêneta, desempenhou os trabalhos de cozinheiro, porteiro, hortelão, sacristão e esmoler.

Em 1925, com 35 anos de idade, seu pedido de ser missionário foi aceito. Aos 13 de setembro deste mesmo ano, recebeu o crucifixo missionário em Veneza com outros cinco sacerdotes e mais um irmão não clérigo. Era o quarto grupo de Missionários vênetos para o Paraná. Embarcou em aos 17 de setembro de 1925 no navio Duca D'Aosta, desembarcam em Santos aos 02.10.1925, chegando em Jaguariaíva, PR, aos 07 de outubro do mesmo ano.

Residiu em São José da Boa Vista (1925-1929), Tomazina (1934-1936; 1939-1941), Jaguariaíva (1933-1934), Curitiba (1931-1933) e Butiatuba (1946-1947), prestando sempre seu auxílio contínuo e precioso aos frades. Cozinhava, zelava da casa paroquial, da igreja e trabalhava na horta. Era metódico e pontual em seu trabalho. De espirito alegre e cordial. Na paróquia conhecia a todos e sabia sempre os últimos acontecimentos. Graciosamente era apelidado entre os confrades de "Frei Gazeta"

Sofrendo de diabete crônico, faleceu de colapso cardíaco, em Butiatuba, aos 28 de abril de 1947, com 65 anos. Pela manhã tinha recebido a Sagrada Comunhão, e à 18h45 entregava sua alma a Deus. No dia seguinte, às 9h foi celebrada a missa solene com a participação de diversos freis e estudantes de Curitiba, o superior dos Maristas e toda a fraternidade de Butiatuba.

Foi homem sem pretensões. Viveu sua vida na simplicidade, na obediência, na caridade e particularmente em espiritualidade profunda. Terminado o trabalho, ou nas horas livres, via-se Frei Silvestre andando com o terço na mão, meditando.

Foi o primeiro religioso não clérigo que faleceu na Custódia. Seu corpo foi sepultado em Butiatuba e mais tarde, seus restos mortais foram transladados para o ossário da capela do mesmo cemitério.

Depoimento de Frei Francisco Panzarini:

Este foi o segundo frei que eu conheci. Pernoitou em minha casa, antes de eu ingressar no convento. Logo depois, entrei para o convento das Mercês e fiquei conhecendo melhor o cozinheiro frei Silvestre. Falava mal o português, misturando-o com italiano e jugoslavo. Era um ótimo cozinheiro. Era muito simples, quase ingênuo: acreditava em tudo o que se dizia. Gostava de fumar cachimbo. Nós éramos muito amigos: ele queria sempre que eu o ajudasse na cozinha. Era muito amoroso com os seminaristas. Gostava muito da gente e tratava a todos muito bem.

Frei Orlando Raimundo Bussato

02/08/1919
21/04/2004

02.08.1919 - Colombo/Paraná
21.04.2004 - Curitiba/Paraná

Frei Orlando nasceu aos 2.8.1919 em Colombo-Paraná, filho de Lourenço Ângelo Busatto e de Emília Mocelin Busatto. Na igreja matriz Nossa Senhora. do Rosário em Colombo foi batizado aos 17.9.1919, e o primeiro bispo de Curitiba, Dom João Francisco Braga, crismou-o na mesma igreja aos 14.6.1924.

Na ordem cronológica, Frei Orlando foi o 15º seminarista de nossa Província, tendo entrado no seminário das Mercês aos 22.4.1930, quando Frei Ricardo de Vescovana era diretor e superior da Missão. Um mês após ter entrado no seminário, recebeu, aos 3.5.1930, a primeira comunhão na igreja das Mercês das mãos do mesmo Frei Ricardo.

Prosseguiu normalmente seus estudos e, aos 10.2.1936, iniciava o noviciado no convento das Mercês com o mestre Frei Barnabé Tenani, porque o seminário tinha sido transferido para Butiatuba. Aos 11.2.1937, emitiu sua primeira profissão religiosa nas mãos do visitador Frei Venceslau de São Martinho de Lúpari, a perpétua aos 10.8.1941 na igreja das Mercês e nas mãos de Frei Tarcísio Mastena de Bovolone.

Terminados seus estudos de filosofia e teologia, foi ordenado presbítero aos 6.12.1942 em nossa igreja das Mercês, por Dom Ático Euzébio da Rocha e, aos 8.12.1942, celebrou sua primeira missa solene na mesma igreja das Mercês.

Frade e apóstolo – Em janeiro de 1943, Frei Orlando se encontrava em Lacerdópolis (Barra Fria) onde lecionava no seminário e atendia as capelas da região. No final do mesmo ano, foi transferido para Butiatuba (1943-1947) onde enfrentou pesado trabalho apostólico as distantes e difíceis capelas da região do Açungui, Votuverava e Tamandaré. Há diversos fatos interessantes, com ele ocorridos, que ele mesmo chegou a descrever e temos por escrito.

Missionário – De 15 a 23 de março de 1946, foi pregada a primeira missão popular de nossa história por Frei Epifânio de Galliera Vêneta. Ele prosseguiu esse trabalho até o final de 1947. Aos 11.1.1948, foi formado o primeiro grupo de missões populares formado por Frei Epifânio, Frei Orlando Raimundo Busatto e Frei Eugênio Nichele. Essa equipe missionária continua até os dias de hoje.

Capelão Militar –Aos 31.11.1950 Frei Orlando foi nomeado capelão militar de Ponta Grossa, com encargo de visitar as guarnições de Ponta Grossa, Castro e Guarapuava. Foi nesse período que conseguiu comprar o primeiro Jipe em nossa história, adquirido apenas por número porque os carros eram os que tinham "sobrado" da segunda guerra mundial. Nesse apostolado foi substituído por Frei José Colorindo Dal Pozzo, em 1954.

Entre as apreciações recebidas como capelão militar, destacam-se estas: "Louvo e agradeço o Capitão Capelão frei Orlando Raimundo Busatto pela colaboração que prestou ao meu comando, pela dedicação e caridade com que exerce suas atribuições de sacerdotes militar" (Gen. Lamartine Peixoto Paes Leme, 29.5.1953); "Louvo o Capitão Capelão frei Orlando Raimundo Busatto pelo grande interesse à sua árdua e nobilíssima missão e pela invulgar boa vontade com que prestou serviços a estranhos de sua missão normal" (Cel. João Rosauro de Almeira, 19.9.1953).

Superior – Aos 17.7.1954, Frei Orlando foi eleito 2º discreto da Custódia Provincial, reeleito em 1957 como 4º assistente do Comissariado e, aos 25.10.1963, eleito Comissário Provincial. Durante seu governo é que foi terminada a ala da frente do convento Bom Jesus.

Pastoral e fraternidades – Terminado seu período de governo, Frei Orlando desempenhou estas atividades: ecônomo provincial e diretor dos Irmãos em Ponta Grossa (1966), pároco e superior em Capinzal (1968), pároco, superior em Umuarama e vigário geral da recém criada diocese (1970), superior e pároco da paróquia N. Sra. da Luz, em Irati (1981), pároco e superior em Céu Azul (1984), guardião no convento das Mercês, em Curitiba (1987) e, desde 4 de janeiro de 1996, superior e responsável pela casa de praia em Itapoá-Santa Catarina.

Os últimos tempos - Desde janeiro de 1996, Frei Orlando Raimundo Busatto se encontrava na casa de praia em Itapoá-SC, como responsável pelo acolhimento dos freis que periodicamente lá descansam. Aliás, quando era ecônomo provincial, em 1967, com Comissário Frei Agostinho José Sartori foram os primeiros que procuraram um local no litoral para a construção de uma casa de descanso para os freis da Província. E foi ele mesmo que comprou o atual terreno em Itapoá e deu início à construção da casa. Por isso, sentia-se muito ligado a esta casa de descanso.

Nos primeiros meses de 2004, Frei Orlando começou a sentir indisposições gerais. Falta de ar e de apetite foram progressivamente atormentando-o. Quando não conseguia mais comer, recorreu aos cuidados médicos em Curitiba. Hospedado no convento das Mercês, fez diversos exames, que constataram certas disfunções do coração. Tratou-se e conseguiu retornar à Itapoá. Não demorou muito e retornou a Curitiba. Seu estado de saúde preocupava. Internou-se alguns dias no Hospital Nossa Senhora. das Graças com quadro clínico claro de problemas cardíacos. Nesse tratamento intenso passou de março a abril de 2004. Foi enfraquecendo bastante e, com os frades, queixava-se da falta de ar. Teve várias crises fortes. Aos 20 de abril, consultou-se na parte da manhã e, à tarde, teve crise de tosse. No retorno ao convento, disse a alguns frades que pensava que tinha chegado a hora de sua morte. No dia seguinte (21.4.2004), novamente, de manhã cedo, acusou forte crise, sendo levado imediatamente ao Hospital Nossa Senhora. das Graças. Enquanto estava sendo levado para ambulatório e ser consultado, subindo uma rampa do hospital, a cadeira de rodas acusou defeitos e, por isso, Frei Evandro Aparecido da Silva e o enfermeiro Gabriel Porfírio carregaram o frei para o ambulatório. Enquanto estava sendo levado ao ambulatório, teve o enfarte. Os médicos procuraram reanimá-lo, mas Frei Orlando tinha falecido. Segundo o certidão de óbito eram 7h20. O Dr. Miguel Hilú Júnior deu estas causas da morte do frei: Insuficiência cárdio-respiratória, cardiopatia dilatada, insuficiência coronária crônica, aterosclerose coronariana.

Enquanto Frei José Gislon (def. e ecônomo prov.) providenciava o encaminhamento do processo para liberar o corpo do frei, a Cúria Provincial comunicava, por telefone, a todas as fraternidades e residências o falecimento de Frei Orlando e seu sepultamento às 9h de 22.4.2004, em nosso cemitério de Butiatuba.

Sepultamento – Após o falecimento, o corpo de Frei Orlando R. Busatto foi transladado para Butiatuba, onde foi velado durante toda a noite pelos seus numerosos familiares que residem em Almirante Tamandaré, Colombo e vizinhanças. Na manhã de 22 de abril, chegaram muitos familiares do falecido e também diversos freis das casas de Curitiba (Cúria Provincial, Mercês, Vila Nossa Senhora da Luz, capela São Leopoldo, Casa de Oração), Almirante Tamandaré, Ponta Grossa (convento, paróquia Bom Jesus e Imaculada Conceição), Umuarama, Santo Antônio da Platina, Foz do Iguaçu, Itapoá, Joinville, Florianópolis e Paraguai. Estavam presentes 30 sacerdotes, 9 freis religiosos, 5 pós-noviços e 7 postulantes.

Às 9h, iniciou a missa exequial, presidida pelo Ministro Provincial, Frei João Daniel Lovato. As preces, leituras, cantos e demais comentários acentuaram o momento importante de uma missa exequial.

Após os agradecimentos finais do Ministro provincial a todos os presentes, o vigário provincial (Frei Manoel Braz da Silva Noite) fez a encomendação. Todos os presentes acompanharam os restos mortais do falecido até a capela do cemitério.

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